quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Dia de Sta. Apolônia (Padroeira dos Dentistas)

Santa Apolônia fez parte de um grupo de virgens martires que padeceram em Alexandria no Egito, durante um levante local contra o Cristianismo antes da perseguição de Décio. De acordo com a lenda, durante sua tortura teve ainda todos os seus dentes violentamente arrancados ou quebrados. Por esta razão, é popularmente considerada como a padroeira dos dentistas e daqueles que sofrem de dor de dente ou outros problemas dentais.

Historiadores Cristãos tem afirmado que nos últimos anos do imperador Filipe, o Árabe (ele reinou de 244-249 DC), durante as não bem documentadas festividades para comemorar o milênio da fundação de Roma (tradicionalmente teria ocorrido no ano de 753 a.C., o que nos dá a data aproximada do milênio como no ano de 248 d.C.), a fúria do povo de Alexandria se transformou em um ódio ainda maior, e embora um de seus poetas já profetizasse uma calamidade, mesmo assim, foram cometidos sangrentos abusos contra os Cristãos, a quem as autoridades nada faziam para proteger.
Dionisio, Bispo de Alexandria (247-265 d.C.), relata o sofrimento de seus paroquianos em uma carta endereçada a Fabio, Bispo da Antióquia, que teve grande parte de seu texto preservada no livro de Eusebio intitulado a Historia Ecclesiae (I:vi: 41). Após descrever como um homem e uma mulher cristãos chamados Metras e Quinta, foram capturados e mortos pela multidão, e como as casas de muitos outros Cristãos foram saqueadas, Dionisio continua seu relato:
Naquele momento Apolônia, parthénos presbytis, foi considerada por eles uma pessoa importante. Então aqueles homens também a agarraram e com vários golpes quebraram todos os seus dentes. Eles então ergueram fora dos portões da cidade uma pilha de madeira e ameaçaram queima-la viva se viesse a recusar-se a repetir diante deles palavras ímpias (como uma blasfémia contra Cristo, ou uma invocação a algum deus pagão). Deram a ela, diante de um pedido seu, um minuto de liberdade, e ela então se jogou rapidamente no fogo, sendo queimada até a morte.”
Esta breve narrativa era mais estendida e moralizada no livro Golden Legend de Jacobus de Voragne (c. 1260).
Apolônia e um grupo inteiro de jovens mártires não esperaram pela morte com a qual haviam sido ameaçadas, talvez para preservar sua castidade ou então porque viram-se confrontadas com a alternativa de renunciar sua fé ou serem assassinadas, voluntariamente abraçaram a morte que havia sido preparada para elas, uma atitude que perigosamente se aproxima do suicídio, segundo alguns. Agostinho de Hipona toca nesta questão sobre o suicídio no primeiro livro da De Civitate Dei (I:26):
Mas, dizem eles, durante o tempo da perseguição certas mulheres santas jogavam se as águas com a intenção de serem arrastadas pelas ondas e afogarem-se, e assim preservar sua castidade ameaçada. Apesar delas abrirem mão de suas vidas conscientemente, mesmo assim elas receberam uma grande distinção como martires da Igreja Católica e seus festejos são celebrados com grande cerimônia. Este e um tema sobre o qual eu não ouso emitir um julgamento esclarecedor. Pois eu sei sem objeção que a Igreja era divinamente autorizada através de revelações confiáveis a honrar desta forma a memória destes Cristãos. Pode ser que seja este o caso. Mas pode também ser que não, que elas agiram desta maneira, não por um capricho humano mas sob o comando de Deus, não erroneamente, mas através da obediência, da mesma forma que supomos ocorreu com Sansão? Quando, entretanto, Deus dá um comando e o faz de forma clara, quem atribuiria a esta obediência o título de crime ou condenaria esta piedosa devoção e serviço de boa vontade?
A narrativa de Dioniso não sugere a menor reprovação a forma de agir de Santa Apolônia; aos seus olhos ela era tão mártir quanto os outros, e como tal ela era reverenciada na igreja de Alexandria. Neste tempo, sua celebração era popular também no oeste. Uma lenda posteriormente surgida duplicou a imagem de Apolônia, transformando-a numa virgem Cristã de Roma que no reinado de Juliano, sofreu do mesmo suplício dental.
A Igreja católica Romana celebra Santa Apolônia no dia 9 de Fevereiro, e ela é popularmente invocada contra a dor de dente devido ao suplício que sofreu. Costuma ser representada nas artes com uma torquês ou tenaz através da qual um dente é preso. Posteriormente no século 14 a ilustração de um manuscrito francês, foi amplamente distribuida como um poster que era considerado apropriado para gabinetes odontológicos nos EUA, nela o dente sagrado preso na tenaz brilha por si, como se fosse um bico de luz.
Santa Apolônia é uma das duas Santas Padroeiras da Catânia. Na Alemanha, onde os Santos Auxiliadores ou "Fourteen Holy Helpers", "vierzehn heiligen" ou "Nothelfer" como conhecidos em outras líguas foram escolhidos como os patronos da vida diária, e Apolônia, protetora contra a dor de dente, é um deles.
Relicário contendo um dente supostamente de Santa Apolônia, na Catedral do Porto
William S. Walsh, em Curiosities of Popular Customs And of Rites, Ceremonies, Observances, and Miscellaneous Antiquities de 1897, notou que, apesar da maior parte de suas relíquias estarem preservadas na própria igreja de Santa Apolônia em Roma, sua cabeça está na Basílica de Santa Maria em Trastevere, seus braços na Basílica de São Lourenço Fora de Muros, partes de sua mandíbula na Catedral de São Basílio, e outras relíquias estão na igreja Jesuíta da Antuérpia, na igreja de Santo Agostinho em Bruxelas, na igreja Jesuíta em Mechelen, na igreja da Santa Cruz em Liège, no tesouro da Catedral do Porto, e em muitas igrejas na cidade de Colônia. Essas relíquias consistem, muitas vezes, apenas de um dente ou pedaço de osso.
Havia uma igreja dedicada a ela em Roma, próxima a Basílica de Santa Maria em Trastevere, mas ela não mais existe. Só o seu pequeno quarteirão, a Piazza Sant'Apollonia ou Praça de Santa Apolônia ainda permanece. Uma das principais estações de trem de Lisboa também recebe o nome desta santa.

Fonte: wikipedia.org

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